domingo, 23 de agosto de 2009

Tá Ruim Pra Disfarçar...

É...não adianta rasgar as fotos, esconder os presentes, não olhar nunca mais as cartas. Você sabe que tudo está lá e sabe que as lembranças não estão nos objetos que construíram a relação, mas sim, na sua memória. É uma comida que ela gostava, uma bebida que ela bebia, um gesto que ela fazia e pronto. Já está lá de novo.
Amor é uma Gestalt. É a parte pelo todo, literalmente. São os pedacinhos que fazem com que um belo dia você perceba que ama e o quanto ama aquele alguém e já não pode mais controlar. No entanto, meu amigo, fragmentos se descolam com o tempo e se não vigiarmos todos os dias com carinho, uma hora eles estão mais longe do que imaginamos e não tem mais como resgatar.
Foi assim que entendi que a tinha perdido. Quando já estávamos longe demais para juntar os nossos caquinhos. Quando nossas fotos já estavam amareladas pelo tempo ou espalhadas em pastas do computador que eu nunca mais tinha acessado, tinha simplesmente esquecido de revelá-las apesar do nome do diretório ser " fotos para fazer ". É esse simples esquecimento que vai mostrando a fenda a se abrir entre duas pessoas.
É cuidar sem cuidar-se , é amar sem se amar de volta. É tanto sentimento depositado no outro, que já não há mais sentimento para si próprio e quando a individualidade se perde, perde-se a cola que une os fragmentos.Perde-se a noção de um todo e volta a idéia de dois, duas pessoas compartilhando o mesmo espaço pois desaprenderam a fazer de outra forma.
Pois é, desaprendi. Desaprendi a me desapegar das coisas dela. De olhar para a praia e não nos ver mais alí. De ir ao mercado e não passar nas seções que só ela gostava.
Está tudo em minha memória enquanto os bilhetes, fotos e presentes me esperam espremidos nas gavetas acreditando que eles me trazem recordações que eu não quero ter.
Está tudo na memória...

2 comentários:

  1. " É tanto sentimento depositado no outro, que já não há mais sentimento para si próprio e quando a individualidade se perde, perde-se a cola que une os fragmentos."

    Tento fugir disso, é muito amor depositado no outro, mas parece que faz-se um click e percebemos que sozinhas não podemos colar todos os fragmentos, Os fragamentos causados por dois. Quero um amor de felicidade incontrolada, um amor arrebatador de individualidades respeitadas. Que ele chegue calmo e impulsivo, que tome conta aos poucos mesmo ocupando muito.

    Talvez por ser amante de café e saber que requentado nunca terá o mesmo sabor, acabo levando a metáfora para a relação.

    Te amo, chatinha!!!

    Beijos

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